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Nº 5819 de agosto de 202038:24efeméride

A conquista de Lisboa pelos espanhóis em 1580

O episódio centra-se nos 440 anos da conquista de Lisboa pelo Duque de Alba (25 de agosto de 1580), que instituiu o domínio espanhol sobre Portugal e iniciou a Dinastia Filipina. Rui Ramos explica as circunstâncias da morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, a complexa questão sucessória que se seguiu, e porque razão Portugal não conseguiu resistir ao poderio militar de Filipe II, ao contrário do que acontecera em 1383-1385. O episódio termina com uma análise do fracasso alemão na Batalha de Inglaterra em 1940.

Ideias principais

  1. A morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir foi invulgar porque capturar reis vivos para resgate era muito mais vantajoso do que matá-los, existindo toda uma indústria de resgate de cativos no norte de África.
  2. A sucessão ao trono português em 1580 era extremamente complexa, envolvendo múltiplos candidatos descendentes de D. Manuel I, mas Filipe II de Espanha tinha o poderio militar necessário para impor a sua vontade sobre os restantes pretendentes.
  3. Portugal não resistiu à invasão espanhola em 1580 como fizera em 1383-1385 porque enfrentava a maior potência militar da Europa (a Espanha de Filipe II) em vez de uma potência média (Castela de Juan I), e porque já estava há décadas sob tutela política espanhola.
  4. O Duque de Alba comandou a conquista de Portugal muito contrariado, impedido de aplicar as leis da guerra (saque sistemático) por ordens de Filipe II, embora os subúrbios de Lisboa tenham sido pilhados, revelando concentração de riqueza inesperada.
  5. A Alemanha nazi perdeu a Batalha de Inglaterra em 1940 por subestimar a Royal Air Force, não ter força aérea suficiente para campanhas prolongadas, e enfrentar vantagens britânicas decisivas (radar, Ultra, produção de aviões e combate sobre território próprio).

Resumo do episódio

Este episódio do podcast aborda dois temas históricos distintos: a conquista de Lisboa pelo Duque de Alba em agosto de 1580, que marcou o início da dinastia filipina em Portugal, e a Batalha de Inglaterra em 1940, com particular enfoque no chamado Dia da Águia. A maior parte do episódio é dedicada ao primeiro tema, começando por retomar uma questão deixada em aberto no episódio anterior: as circunstâncias da morte de D. Sebastião em Alcácer-Quibir.

Rui Ramos explica que a morte do rei em combate é, em si mesma, surpreendente, não porque seja inverosímil morrer numa batalha, mas porque, no contexto das guerras do século XVI no Mediterrâneo e no norte de África, capturar um rei valia muito mais do que matá-lo. Os prisioneiros de alta estirpe eram um valioso instrumento de resgate, e havia toda uma estrutura económica montada em torno da redenção de cativos. Vários fidalgos portugueses sobreviveram à batalha precisamente por esse motivo, tendo sido resgatados posteriormente. A hipótese mais plausível, segundo os apresentadores, é que D. Sebastião terá recusado render-se - em parte por não querer dever a sua libertação ao tio Filipe II, de quem pretendia afirmar independência - e que, ao afastar-se do campo de batalha já no fim do combate, terá sido capturado e morto por saqueadores locais que não sabiam com quem lidavam. O facto de nenhuma das partes ter interesse em admitir a morte do rei - os portugueses por dever de honra, os marroquinos por terem deixado escapar um refém valiosíssimo - terá contribuído para a névoa que alimentou depois o mito sebastianista.

A seguir, os apresentadores explicam a complexa questão sucessória aberta pela morte de D. Sebastião e, depois, do cardeal D. Henrique. Havia vários pretendentes com argumentos jurídicos distintos: Filipe II de Espanha, filho da filha mais velha de D. Manuel; Ranúcio Farnese e D. Teodósio de Bragança, pela linha masculina; e D. António, prior do Crato, filho ilegítimo do infante D. Luís. Na prática, a maioria dos candidatos era parente próxima de Filipe II ou estava demasiado intimidada pelo poderio espanhol para resistir. Apenas D. António, a "ovelha negra" da família real, se aventurou a desafiar abertamente Filipe II, contando com o apoio popular em Lisboa.

Os apresentadores interrogam-se sobre por que razão não houve em 1580 uma repetição do que acontecera em 1383-85, quando um bastardo real conseguira impor-se com o apoio de Lisboa contra Castela. A resposta é clara: em 1385, Portugal enfrentava uma potência média; em 1580, enfrentava o maior exército profissional da Europa, o mesmo que combatia na Flandres, comandado pelo temível Duque de Alba. A isso acrescia que Portugal estava há décadas sob tutela espanhola - o episódio da escolha da noiva de D. Sebastião, feita e desfeita por Filipe II ao sabor dos seus interesses diplomáticos, ilustra bem essa dependência. A resistência portuguesa foi real mas breve: a batalha de Alcântara durou pouco, e Lisboa, querendo evitar o saque, enviou D. António combater fora das muralhas. O exército espanhol acabou por pilhar os arredores da cidade, onde os lisboetas tinham escondido os seus bens mais valiosos na expectativa de um saque interior - um equívoco que se revelou muito custoso.

Na segunda parte do episódio, os apresentadores voltam-se para agosto de 1940 e o Dia da Águia, a grande ofensiva aérea alemã destinada a destruir a Royal Air Force em poucos dias e abrir caminho a uma eventual invasão da Grã-Bretanha. Rui Ramos argumenta que as dificuldades da Alemanha começaram logo em setembro de 1939, quando a Inglaterra e a França declararam guerra contra as expectativas de Hitler. A lógica alemã assentava em campanhas rápidas e decisivas - a Blitzkrieg - porque a Alemanha não tinha meios para sustentar guerras prolongadas. Em 1940, os alemães descobriram que a Inglaterra era também uma grande potência aérea: dispunha de radar, do programa secreto Ultra que lhe permitia decifrar as comunicações alemãs, produzia aviões e formava pilotos mais depressa do que os perdia, e combatia sobre o seu próprio

Personagens

  • D. Sebastião
  • Filipe II de Espanha
  • Duque de Alba
  • D. António Prior do Crato
  • D. João III
  • Cardeal D. Henrique
  • D. Manuel I
  • D. Isabel de Portugal
  • Carlos V
  • Carlos III Duque de Sabóia
  • Infante D. Luís
  • Infante D. Duarte
  • Alexandre Farnese Duque de Parma
  • D. Teodósio Duque de Bragança
  • Ranúcio Farnese
  • D. João I
  • Nuno Álvares Pereira
  • Juan I de Castela
  • Queiroz Veloso
  • Miguel Leitão de Andrade
  • Rui Gomes da Silva Príncipe de Eboli
  • Isabel I de Inglaterra
  • Marquês de Santa Cruz
  • Isabel da Áustria
  • Adolf Hitler
  • Ribbentrop
  • Winston Churchill

Lugares/Países

  • Portugal
  • Espanha
  • Marrocos
  • França
  • Inglaterra
  • Países Baixos
  • Flandres
  • Holanda
  • Áustria
  • Itália
  • Sicília
  • Milão
  • Parma
  • Sabóia
  • Alemanha
  • União Soviética
  • Grã-Bretanha
  • Estados Unidos

Épocas

  • século XVI
  • século XX
  • Segunda Guerra Mundial
  • década de 1930
  • 1383-1385

Temas

  • guerra
  • sucessão dinástica
  • diplomacia
  • colonialismo
  • independência nacional
  • invasões
  • aviação militar
  • bombardeamentos
  • estratégia militar
  • conflitos dinásticos
  • resgate de cativos
  • escravatura
  • pilhagem

Eventos

  • Batalha de Alcácer-Quibir
  • Entrada do Duque de Alba em Lisboa
  • Batalha de Alcântara
  • Crise de sucessão de 1580
  • Dinastia Filipina
  • Adler Tag (Dia da Águia)
  • Operação Leão Marinho
  • Blitz
  • Operação Barbarossa
  • Batalha de Aljubarrota
  • Batalha de Inglaterra

Guerras e conflitos

  • Guerra de sucessão portuguesa de 1580
  • Guerra nos Açores 1581-1582
  • Segunda Guerra Mundial
  • Guerra na Flandres
  • Revolta dos Países Baixos
  • Crise de 1383-1385

Livros citados

  • D. Sebastião (Queiroz Veloso, anos 1930)