Nº 22425 de outubro de 20231h12análise histórica
As primeiras guerras de Israel: 1948, 1956 e 1967
O episódio analisa as três primeiras guerras de Israel (1948, 1956 e 1967), explicando como um pequeno país recém-fundado conseguiu sobreviver e expandir-se territorialmente contra coligações de Estados árabes numericamente superiores. Explora os contextos da Guerra Fria, as rivalidades inter-árabes, o papel das superpotências e a origem da questão palestiniana moderna, culminando na ocupação israelita da Cisjordânia e Gaza após a Guerra dos Seis Dias.
Ideias principais
- A sobrevivência de Israel em 1948 deveu-se ao desespero dos judeus sobreviventes do Holocausto, à mobilização total da população (6%), à capacidade organizativa e ao armamento secreto fornecido pela União Soviética via Checoslováquia.
- Os Estados árabes em 1948 estavam mais preocupados em rivalizar entre si pela partilha do território palestiniano do que em destruir Israel, com a Jordânia e o Egito a anexarem a Cisjordânia e Gaza respectivamente.
- A Crise do Suez (1956) foi uma conspiração franco-britânica-israelita que falhou politicamente devido à pressão financeira americana, transformando Nasser num herói árabe e aproximando os Estados árabes da União Soviética.
- A Guerra dos Seis Dias (1967) foi uma vitória militar esmagadora de Israel que triplicou o seu território, mas também transformou o conflito local num confronto global da Guerra Fria e criou a ocupação prolongada de territórios palestinianos.
- A partir de 1967, os palestinianos emergem como actor político independente através da OLP, substituindo gradualmente os Estados árabes como principal parte no conflito com Israel, especialmente após Egito e Jordânia fazerem paz com Israel.
Resumo do episódio
Este episódio do podcast *E o Resto é História* propõe-se percorrer as três primeiras grandes guerras em que Israel esteve envolvido - em 1948, 1956 e 1967 - como chave de leitura para compreender o conflito israelo-palestiniano contemporâneo. Rui Ramos e João Miguel Tavares partem da fundação do Estado de Israel para chegar à configuração territorial que ainda hoje define o problema.
A guerra de 1948, conhecida pelos israelitas como a Guerra da Independência, começa formalmente no dia 15 de maio desse ano, quando os exércitos do Egito, da Síria, da Jordânia, do Iraque e do Líbano invadem o território proclamado por David Ben-Gurion horas antes. A desproporção de forças parecia esmagadora: cerca de 600 mil judeus na Palestina contra populações árabes combinadas de dezenas de milhões. Contudo, os apresentadores identificam três razões para a resistência israelita. A primeira é o desespero de uma comunidade em grande parte formada por sobreviventes do Holocausto, que encaravam a derrota como um novo extermínio, o que gerou uma mobilização total - cerca de 6% da população às armas. A segunda é a capacidade organizativa da comunidade judaica, que unificou as suas milícias no novo Exército de Defesa de Israel e soube contornar o embargo de armas imposto pelas Nações Unidas com o apoio decisivo da União Soviética, que via Israel como um Estado socialista capaz de contrariar a influência britânica e francesa no Médio Oriente. A terceira razão, mais surpreendente, reside nas contradições internas da coligação árabe: a Jordânia queria apenas anexar a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, o Egito pretendia ficar com Gaza e parte do Negev, e cada Estado temia mais o engrandecimento do rival árabe do que propriamente a existência de Israel. O resultado foi a fundação consolidada do Estado de Israel, a não-criação de um Estado árabe palestiniano, e a deslocação de cerca de 700 mil árabes palestinianos, enquanto um número equivalente de judeus era expulso dos países árabes - estes integrados em Israel, aqueles mantidos em campos de refugiados como instrumento de pressão política.
A Guerra do Suez, em 1956, insere-se já plenamente na lógica da Guerra Fria. O coronel egípcio Gamal Abdel Nasser, que havia derrubado a monarquia, aproximou-se da União Soviética, apoiou os independentistas argelinos e nacionalizou o Canal do Suez, controlado por uma empresa franco-britânica. França e Reino Unido, temerosos de perder a sua influência no Médio Oriente e o acesso ao petróleo, conspiram secretamente com Israel para montar uma operação militar: Israel ataca o Egito, e as duas potências europeias intervêm sob o pretexto de proteger o canal. Militarmente, a operação corre bem - Israel conquista o Sinai, os paraquedistas franco-britânicos ocupam o canal -, mas politicamente é um desastre. Os Estados Unidos, que pretendiam atrair Nasser para o campo ocidental, ficam furiosos e exercem uma pressão financeira devastadora sobre a libra esterlina, forçando a retirada britânica e, consequentemente, a francesa e a israelita. Nasser apresenta-se como vencedor, reforça os laços com Moscovo e consolida a sua liderança pan-arabista.
A Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, é descrita como a maior vitória militar da história de Israel. Perante a crescente ameaça de Nasser - que bloqueou o porto de Eilat, exigiu a saída das forças da ONU do Sinai e assinou um pacto militar com a Jordânia -, Israel lançou um ataque aéreo surpresa que destruiu praticamente toda a força aérea egípcia em terra, garantindo a supremacia aérea. A seguir, uma ofensiva blindada atravessou o Sinai em dias. A Jordânia acabou por combater, perdendo a Cisjordânia e Jerusalém Oriental; a Síria, que inicialmente observou, entrou tarde e perdeu os Montes Golã. Em seis dias, Israel triplicou o seu território. Os apresentadores sublinham que muitas das retiradas árabes se basearam na expectativa errónea de um cessar-fogo rápido seguido de pressão para Israel recuar, como acontecera em 1956. As consequências foram duradouras: a União Soviética
Personagens
- David Ben-Gurion
- Amin al-Husseini
- Adolf Hitler
- Gamal Abdel Nasser
- Abdullah I da Jordânia
- Glubb Pasha (Sir John Glubb)
- Ibn Saud
- Dwight Eisenhower
- Anthony Eden
- Harold Macmillan
- Nikita Khrushchev
- Reza Pahlavi
- Moshe Dayan
- Isaac Rabin
- Yasser Arafat
- Anwar Sadat
- Hussein da Jordânia
- Benny Morris
Lugares/Países
- Israel
- Palestina
- Egito
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- Iraque
- Líbano
- Jordânia
- Transjordânia
- Arábia Saudita
- Iémen
- Reino Unido
- França
- Estados Unidos
- União Soviética
- Checoslováquia
- Jugoslávia
- Índia
- Paquistão
- Irlanda
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- Irão
- Argélia
- Sudão
- Kuwait
- Turquia
- Hungria
- Vietnã
- Bósnia
Épocas
- 1948
- 1956
- 1967
- Guerra Fria
- Pós-Segunda Guerra Mundial
- Primeira Guerra Mundial
- Segunda Guerra Mundial
- Mandato Britânico da Palestina
- anos 20
- anos 30
- anos 70
Temas
- guerra
- conflito israelo-árabe
- descolonização
- nacionalismo
- partilha territorial
- refugiados
- diplomacia internacional
- Guerra Fria
- terrorismo
- armamento nuclear
- extrema-esquerda
- pan-arabismo
- sionismo
- Holocausto
Eventos
- Proclamação do Estado de Israel
- Guerra da Independência de Israel (1948)
- Crise do Suez (1956)
- Guerra dos Seis Dias (1967)
- Partilha da Índia
- Holocausto
- Revolução Húngara de 1956
- Setembro Negro
- Nacionalização do Canal do Suez
- Resolução 242 das Nações Unidas
Guerras e conflitos
- Guerra de 1948
- Crise do Suez
- Guerra dos Seis Dias
- Guerra do Yom Kippur
- Insurreição Árabe (1936-1939)
- Guerra da Argélia
- Guerra do Vietnã