Nº 28418 de dezembro de 202439:16efeméride
Batalha das Ardenas: o último contra-ataque alemão
O episódio analisa a Batalha das Ardenas, iniciada há 80 anos a 16 de dezembro de 1944, o último grande contra-ataque alemão na frente ocidental. Hitler mobilizou meio milhão de soldados numa ofensiva surpresa através da Floresta das Ardenas, esperando dividir os exércitos aliados e forçar negociações de paz. Apesar do sucesso inicial, a resistência americana e a superioridade aérea aliada, quando o tempo melhorou, ditaram a derrota alemã com perdas brutais de ambos os lados.
Ideias principais
- A ofensiva das Ardenas baseava-se em três pressupostos: a Alemanha ainda tinha capacidade militar significativa, os aliados sofriam de problemas logísticos similares aos que os alemães tinham enfrentado na Rússia, e a aliança anti-nazi era contra natura e poderia desagregar-se.
- A política aliada de rendição incondicional e o Plano Morgenthau de desindustrialização da Alemanha permitiram aos nazis criar uma mentalidade apocalíptica de resistência total, mobilizando todos os homens entre 16 e 60 anos.
- Hitler emitiu ordens radicais subvertendo a hierarquia militar tradicional, determinando que em situações desesperadas o comando deveria passar para quem estivesse mais determinado a lutar até ao fim, mesmo que fosse um soldado raso.
- A Alemanha desenvolveu tecnologia militar avançada como os mísseis V1 e V2, sendo o V2 o primeiro objeto fabricado pelo homem a sair da atmosfera em junho de 1944, tecnologia que mais tarde seria fundamental para o programa espacial americano.
- O Estado-Maior Alemão subestimou gravemente a determinação de combate das tropas americanas, baseando-se em estereótipos sobre heterogeneidade étnica e falta de tradição militar, o que contribuiu decisivamente para o fracasso da ofensiva.
Resumo do episódio
O episódio 284 de *E o Resto é História* é dedicado à Batalha das Ardenas, o último grande contra-ataque alemão na frente ocidental durante a Segunda Guerra Mundial, iniciado a 16 de dezembro de 1944, há precisamente 80 anos. Rui Ramos e João Miguel Tavares partem de uma questão central: tratou-se apenas de um gesto desesperado e irracional, ou havia uma lógica estratégica por detrás desta ofensiva? A resposta que desenvolvem ao longo do episódio é que, embora a situação alemã fosse objectivamente catastrófica, existia um raciocínio coerente - ainda que assente em pressupostos ilusórios - que explica por que razão Hitler e os seus comandantes acreditaram que o ataque poderia mudar o curso da guerra.
Para contextualizar, os apresentadores descrevem o estado da Alemanha no outono de 1944: cercada a ocidente por cerca de dois milhões de soldados americanos e britânicos que já tinham libertado a França e chegado ao Reno, e a oriente por um avanço soviético que reconquistara a Ucrânia e a Bielorrússia. Os aliados da Alemanha - Roménia, Bulgária, Finlândia, Hungria - tinham-se rendido ou mudado de campo. A Roménia era especialmente crítica por ser a principal fonte de petróleo alemão. Em setembro de 1944, os comandos aliados estavam convictos de que a guerra terminaria antes do Natal. Contudo, nesse mesmo outono, as Forças Armadas alemãs conseguiram travar o avanço aliado a ocidente e a oriente, criando uma pausa que Hitler aproveitou para planear a ofensiva.
Os apresentadores identificam três pressupostos que sustentavam a lógica alemã. O primeiro era a capacidade militar ainda considerável da Alemanha: conseguiu reunir cerca de meio milhão de homens e dispunha de armamento tecnologicamente avançado, como os mísseis V1 e V2 - sendo que um destes últimos foi o primeiro objecto fabricado pelo ser humano a sair da atmosfera terrestre. O segundo pressuposto assentava na experiência das campanhas na Rússia: tal como as ofensivas alemãs se tinham esgotado logisticamente à medida que avançavam, os alemães acreditavam que o mesmo acontecia aos aliados, que dependiam de linhas de abastecimento longas e frágeis a partir de portos normandos, agravadas pela destruição prévia das linhas ferroviárias francesas. O terceiro pressuposto era político: a exigência aliada de rendição incondicional, aliada ao plano Morgenthau de desindustrialização da Alemanha, alimentava o discurso nazi de resistência total; ao mesmo tempo, Hitler e Goebbels acreditavam que uma grande derrota infligida aos americanos e britânicos poderia desagregar a aliança entre as democracias ocidentais e a União Soviética, abrindo caminho a negociações - possivelmente com Estaline.
O plano operacional visava repetir a manobra de maio de 1940: partir da Floresta das Ardenas em direção a Antuérpia, cortar os exércitos aliados em dois e forçar uma crise estratégica. A ofensiva foi deliberadamente agendada para dezembro, aproveitando previsões de mau tempo que limitariam a superioridade aérea aliada - na qual os aliados contavam com uma proporção de cinco a dez aviões para cada aeronave alemã. O ataque inicial surpreendeu completamente as forças americanas, e os bombardeamentos com V1 e V2 causaram milhares de vítimas civis em Antuérpia e Liège. Porém, os alemães não contaram com dois factores decisivos: o terreno lamacento e nevado das Ardenas, que travou o avanço das colunas blindadas, e a resistência determinada das tropas americanas, nomeadamente em Bastogne, que o Estado-Maior alemão subestimara com base em estereótipos depreciativos sobre os soldados norte-americanos. A 23 de dezembro o tempo melhorou e a aviação aliada voltou a dominar o campo de batalha, destruindo sistematicamente colunas de abastecimento e unidades blindadas. Perto do Natal, os comandantes alemães já sabiam que não alcançariam Antuérpia.
O episódio termina com uma nota sobre a dimensão humana do confronto - cerca de 14 mil mortos alemães e quase 20 mil americanos, numa das batalhas mais sangrentas para os Estados Unidos em toda a guerra - e com a observação, algo perple
Personagens
- Adolf Hitler
- Joseph Goebbels
- Wernher von Braun
- Henry Morgenthau
- Franklin D. Roosevelt
- Joseph Stalin
Lugares/Países
- Alemanha
- Estados Unidos
- Reino Unido
- França
- Bélgica
- Luxemburgo
- União Soviética
- Finlândia
- Bulgária
- Roménia
- Hungria
- Itália
- Polónia
- Grécia
- Jugoslávia
- Lituânia
- Ucrânia
- Bielorrússia
- Holanda
- Alsácia
- Lorena
Épocas
- Segunda Guerra Mundial
- década de 1940
Temas
- guerra
- estratégia militar
- política internacional
- tecnologia militar
- diplomacia
- propaganda
Eventos
- Batalha das Ardenas
- Batalha do Bulge
- Desembarque da Normandia
- Evacuação de Dunquerque
- Insurreição de Varsóvia
- Atentado de 20 de julho de 1944
Guerras e conflitos
- Segunda Guerra Mundial
- Frente Oriental
- Frente Ocidental