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Nº 25605 de junho de 202451:31efeméride

Dia D: 80 anos do desembarque na Normandia

Episódio dedicado aos 80 anos do Dia D (6 de junho de 1944), a maior invasão por mar da história com mais de 150 mil soldados aliados. Rui Ramos analisa não apenas o desembarque na Normandia, mas todo o contexto estratégico da operação, as dificuldades enfrentadas, os erros e sucessos, e o seu verdadeiro impacto na derrota da Alemanha nazi, destacando que a batalha mais custosa não foi o desembarque mas a posterior campanha em França.

Ideias principais

  1. Em junho de 1944, antes do Dia D, a derrota alemã era improvável mas não garantida, com a Alemanha ainda controlando vastos territórios e infligindo pesadas baixas aos Aliados em todas as frentes.
  2. O sucesso do Dia D deveu-se tanto ao domínio naval e aéreo aliado como a uma sofisticada operação de desinformação que incluiu um exército falso comandado por Patton e tanques insufláveis construídos por estúdios de cinema.
  3. Ao contrário da imagem popular, o Dia D custou cerca de 4 mil mortos (6% do total da campanha), enquanto a posterior batalha da Normandia até agosto provocou 40 mil mortos aliados e 40 mil civis franceses pelos bombardeamentos.
  4. A resistência alemã na Normandia foi extraordinariamente eficaz, levando seis semanas para tomar Caen (prevista para o dia do desembarque) e três meses para libertar Paris, com os alemães mantendo capacidade de combate apesar da inferioridade numérica de 2 para 1.
  5. Para as populações ocupadas, especialmente judeus como Anne Frank, o Dia D representava a diferença entre vida e morte, embora para muitos tenha chegado tarde demais, como os meio milhão de judeus húngaros deportados para Auschwitz nesse verão.

Resumo do episódio

Neste episódio, Rui Ramos e João Miguel Tavares debruçam-se sobre o Dia D, o desembarque aliado na Normandia a 6 de junho de 1944, cujo octogésimo aniversário serve de mote à conversa. A pergunta de partida é logo colocada: foi este o momento em que o mundo percebeu que a Alemanha iria perder a guerra? Os apresentadores respondem com cautela: em junho de 1944, uma vitória alemã era já improvável, mas não era de modo algum inevitável a sua derrota. A Alemanha tinha sofrido reveses graves em 1943 - Stalinegrado, o colapso no Norte de África, o desembarque aliado na Sicília e depois em Itália, a pressão dos bombardeamentos aliados -, mas continuava a controlar Roma, grandes partes da frente oriental e a economia industrial da Europa Ocidental ocupada. A sua estratégia passava por infligir o máximo de perdas ao adversário, tornando o custo da guerra insuportável e forçando uma negociação, tanto mais que novas armas como os mísseis V1 e V2 alimentavam a esperança de alterar o curso do conflito.

A operação Overlord nasceu também do relativo fracasso da campanha italiana: quase um ano após o desembarque na Sicília, os aliados ainda não tinham chegado a Roma, tornando inviável a ideia de avançar pela Europa Central por essa via. O desembarque directo na costa francesa era arriscado, como o tinha demonstrado o desastroso raid de Dieppe em 1942, mas era a alternativa necessária. O general Eisenhower chegou a preparar dois discursos, um para a vitória e outro para a derrota, o que ilustra bem a seriedade com que se encarava a possibilidade de fracasso - um fracasso que teria consequências políticas gravíssimas, incluindo para Roosevelt, que enfrentava eleições presidenciais em novembro desse ano.

Os aliados dispunham, porém, de vantagens consideráveis: domínio naval e aéreo, a decifração dos códigos secretos alemães e uma engenhosa operação de engano que convenceu o comando alemão de que o verdadeiro desembarque viria no Pas-de-Calais e não na Normandia. Para isso, construíram um exército fictício em Kent, com tanques e aviões insufláveis fabricados pelos estúdios de cinema de Hollywood e um intenso tráfego de rádio encenado sob o comando nominal do general Patton. A divisão interna alemã sobre como reagir ao desembarque - defender nas praias, como queria Rommel, ou reservar forças blindadas para um contra-ataque em profundidade - acabou por resultar numa solução de compromisso que não serviu nenhuma das duas estratégias.

O dia 6 de junho decorreu de forma muito diferente do planeado. Em Omaha Beach, os tanques anfíbios afundaram-se quase todos, as unidades desembarcaram fora dos sectores para que tinham treinado e as perdas foram devastadoras. Ainda assim, os soldados sobreviventes, sem oficiais e por iniciativa própria, conseguiram avançar para o interior. Nas outras praias, a resistência foi menos feroz e o balanço global do dia ficou aquém do esperado em termos de baixas: cerca de quatro mil mortos aliados, quando Churchill antecipava o dobro ou mais. No final do dia estavam em terra 130 mil homens; uma semana depois, 400 mil.

A campanha que se seguiu foi, todavia, muito mais longa e sangrenta do que o desembarque em si. A cidade de Caen, que devia ter caído no próprio dia 6, só foi tomada em 19 de julho. Paris foi alcançada a 30 de agosto. Em três meses de combates no bocage normando, os aliados sofreram cerca de 40 mil mortos em terra e 17 mil no ar - quinze vezes mais do que no Dia D. O episódio destaca ainda um custo frequentemente ignorado: os bombardeamentos aliados mataram aproximadamente 40 mil civis franceses, tantos quantos os soldados aliados caídos em combate, sem que isso suscitasse grande contestação política, dada a intensidade do ódio à ocupação alemã.

Personagens

  • Adolf Hitler
  • Dwight D. Eisenhower
  • Winston Churchill
  • Bernard Montgomery
  • Erwin Rommel
  • Franklin D. Roosevelt
  • Joseph Stalin
  • George S. Patton
  • Robert Capa
  • Charles de Gaulle
  • Anne Frank
  • Gerd von Rundstedt

Lugares/Países

  • Alemanha
  • Estados Unidos
  • Reino Unido
  • Canadá
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  • Tunísia
  • Roménia
  • Bielorrússia
  • Ucrânia
  • Polónia
  • Noruega
  • Bélgica
  • Holanda
  • Hungria
  • Sicília
  • Japão

Épocas

  • Segunda Guerra Mundial
  • século XX

Temas

  • guerra
  • operações militares
  • estratégia militar
  • bombardeamentos
  • ocupação
  • resistência
  • Holocausto
  • logística militar
  • inteligência militar
  • propaganda

Eventos

  • Dia D
  • Operação Overlord
  • Batalha de Stalingrado
  • Desembarque na Normandia
  • Operação Bagration
  • Ataque a Dieppe
  • Desembarque na Sicília
  • Batalha de Caen

Guerras e conflitos

  • Segunda Guerra Mundial
  • Primeira Guerra Mundial
  • Batalha do Somme

Livros citados

  • Diário de Anne Frank