← Arquivo

Nº 28020 de novembro de 202438:58efeméride

Golfo de Leyte: a maior batalha naval do século XX

A Batalha do Golfo de Leyte (23-26 de outubro de 1944) foi a maior batalha naval da história contemporânea, com mais de 300 navios e 2000 aviões envolvidos. O Japão arriscou praticamente toda a sua marinha num plano engenhoso de diversão com porta-aviões para atacar as forças de desembarque americanas nas Filipinas, mas a estratégia falhou por erros de execução, iniciativas individuais heroicas americanas e confusão no comando japonês, resultando na destruição virtual da marinha imperial japonesa.

Ideias principais

  1. O Japão nunca pretendeu conquistar os Estados Unidos, mas sim infligir uma derrota que forçasse os americanos a negociar o reconhecimento de uma esfera de influência japonesa na Ásia.
  2. O plano japonês era engenhoso: usar os últimos porta-aviões como chamariz para afastar a principal força americana (Task Force 38) e permitir que os super-coraçados Yamato e Musashi atacassem as forças de desembarque desprotegidas.
  3. A estrutura de comando americana dividida entre dois almirantes (Halsey e Kinkaid) subordinados a comandantes diferentes (Nimitz e MacArthur) criou vulnerabilidades que os japoneses tentaram explorar.
  4. Iniciativas individuais heroicas de comandantes de destroyers americanos, que lançaram ataques suicidas contra coraçados muito superiores sob cortinas de fumo, salvaram a força de desembarque e confundiram o almirante japonês Kurita.
  5. A batalha demonstra como a guerra depende não apenas de estatísticas e superioridade material, mas também de perícia, valentia, sorte e erros de comando, explicando por que Japão e Alemanha lutaram muito além do que parecia racional em 1944-45.
  6. Foi nesta batalha que surgiram os primeiros ataques kamikaze organizados, embora com eficácia limitada (menos de 20% atingiram alvos), afundando apenas um porta-aviões ligeiro americano.

Resumo do episódio

A Batalha do Golfo de Leyte, travada entre 23 e 26 de outubro de 1944 nas Filipinas, é o tema deste episódio. Rui Ramos e João Miguel Tavares debruçam-se sobre aquele que é considerado o maior confronto naval da história contemporânea: mais de trezentos navios envolvidos, mais de dois mil aviões e cerca de vinte mil mortos, incluindo dois almirantes japoneses. O episódio procura explicar por que razão o Japão, claramente em desvantagem militar, empenhou praticamente toda a sua frota numa batalha que sabia ser extremamente arriscada.

O contexto estratégico é central para compreender as motivações japonesas. Desde o ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, o Japão nunca ambicionou conquistar os Estados Unidos, mas antes infligir-lhes uma derrota tão custosa que os levasse a negociar uma paz que reconhecesse a esfera de influência japonesa na Ásia. Esse objetivo falhara repetidamente: em Pearl Harbor, os grandes porta-aviões americanos escaparam ilesos; na Batalha de Midway, em 1942, foram os japoneses a perder os seus porta-aviões; e na Batalha do Mar das Filipinas, em junho de 1944, o Japão perdeu dois dos seus últimos três grandes porta-aviões e centenas de pilotos experientes, impossíveis de substituir rapidamente. Em outubro de 1944, com o desembarque americano nas Filipinas iminente, os japoneses viam uma última oportunidade: se as Filipinas fossem reconquistadas pelos Aliados, o acesso japonês às reservas de petróleo e borracha da Indonésia ficaria cortado, tornando a continuação da guerra praticamente inviável.

Face a este cenário, o alto comando japonês concebeu um plano engenhoso que tirava partido de uma fragilidade conhecida do dispositivo americano. As forças navais dos Estados Unidos no Pacífico estavam divididas em dois comandos independentes, sem coordenação unificada: a Terceira Esquadra, com a poderosa Força de Combate 38 - cerca de oito grandes porta-aviões, nove ligeiros e mais de mil e quinhentos aviões -, comandada pelo almirante Halsey; e a Sétima Esquadra, com forças mais modestas, comandada pelo almirante Kincaid e subordinada ao general MacArthur. Os japoneses sabiam que Halsey estava obcecado com a destruição dos porta-aviões inimigos, após ter sido criticado por os ter deixado escapar no Mar das Filipinas. O plano consistia, assim, em usar os seus próprios porta-aviões - já quase sem aviões - como chamariz para atrair Halsey para longe da zona de desembarque, enquanto duas grandes forças de couraçados, incluindo os supercuiraçados Yamato e Musashi, os maiores navios de guerra alguma vez construídos, entrariam no Golfo de Leyte para destruir os navios de transporte e as tropas de desembarque.

O plano quase funcionou. As primeiras fases correram mal para os japoneses: os americanos detetaram as forças de couraçados antes do chamariz de porta-aviões, e o Musashi acabou por ser afundado por vagas sucessivas de aviões americanos, o que levou o almirante Kurita a ordenar uma primeira retirada. Mas quando a Força de Combate 38 de Halsey saiu finalmente em perseguição dos porta-aviões japoneses a norte, Kurita virou novamente para o Golfo de Leyte e encontrou as forças de desembarque praticamente desprotegidas. O pânico instalou-se do lado americano. O que impediu uma catástrofe foi uma iniciativa espontânea e quase suicida dos comandantes de pequenos contratorpedeiros e de aviões de patrulha, que avançaram em direção à esquadra japonesa sob uma densa cortina de fumo. Kurita, sem comunicações fiáveis e com o radar inutilizado pelas montanhas das ilhas, confundiu aquele ataque com a vanguarda da Terceira Esquadra americana e recuou pela segunda vez, sem jamais perceber que tinha as forças de desembarque à sua mercê.

Os apresentadores encerram o episódio com uma reflexão mais ampla: apesar do desequilíbrio de forças já ser esmagador em 1944, tanto o Japão no Pacífico como a Alemanha na Europa continuaram a apostar numa reviravolta possível, alimentados pela consciência de que a guerra é também perícia, coragem e sorte. Foi essa l

Personagens

  • Franklin D. Roosevelt
  • Douglas MacArthur
  • William Halsey
  • Thomas Kinkaid
  • Chester Nimitz
  • Takeo Kurita

Lugares/Países

  • Estados Unidos
  • Japão
  • Filipinas
  • Austrália
  • Indonésia
  • Bornéu
  • Sumatra
  • Roménia
  • Alemanha
  • Ilhas Marianas

Épocas

  • Segunda Guerra Mundial
  • década de 1940

Temas

  • guerra
  • batalha naval
  • estratégia militar
  • aviação militar
  • kamikaze
  • desembarque anfíbio
  • táticas de combate

Eventos

  • Batalha do Golfo de Leyte
  • Ataque a Pearl Harbor
  • Batalha de Midway
  • Batalha do Mar das Filipinas
  • reconquista das Filipinas
  • eleições presidenciais americanas de 1944

Guerras e conflitos

  • Segunda Guerra Mundial
  • Guerra do Pacífico